ONDE
MORA
O AXÉ

Será lançado, no dia 2 de março de 2026, o livro Onde mora o axé: saberes da cozinha de terreiro, da nutricionista e candomblecista Bárbara Félix Kilambô. O livro é resultado do projeto “Alimentos no Candomblé: fundamentos cosmológicos, importância ritual e valores nutricionais”, coordenado pela iyalorixá Fabiana de Cássia Militão Ramos e patrocinado pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC).

Patrimônio cultural

O terreiro de Candomblé é um “espaço que congrega características comuns, como a manutenção das tradições afro-brasileiras, o respeito aos ancestrais, os valores de generosidade e solidariedade, o conceito amplo de família e uma relação próxima com o meio ambiente. São comunidades com uma cultura diferenciada e uma organização social própria, que constituem patrimônio cultural afro-brasileiro.” (Ministério da Cidadania, 2015.)

NOTA DE AGRADECIMENTO

A realização deste trabalho não é um ato solitário, mas o fruto de uma colheita coletiva, plantada em solos sagrados e regada pela generosidade de muitos. Esta obra nasce da união de terreiros de todas as nações, que se irmanaram para que este registro fosse possível. Em cada página, busquei o máximo respeito às tradições e aos fundamentos que me foram confiados, honrando a particularidade de cada chão.

Agradeço, com profunda reverência, às casas que abriram suas porteiras e suas cozinhas, permitindo que o saber ancestral fosse documentado: ao Ile Ase Onilawo; ao Ilê Asé Logum Cetomí; ao Ile Ase Olonã; ao Centro Espírita Sociocultural Pai Guiné De Aruanda; ao Abassa d’lemba; ao Ilê Axé Iya Magba Biola; ao Tumba Inzo A’na Nzambi Junsara e ao Nzo Mikaia – Tenda Espírita Caboclo Gira Mundo. Obrigado por compartilharem não apenas ingredientes, mas o segredo das mãos, o tempo do fogo e a memória que alimenta a nossa existência.

Deixo um agradecimento revestido de saudade e honra à Mametu Kitalonin. Embora não esteja mais fisicamente entre nós, sua presença é a fundação desta obra. Ela foi minha primeira guia na cozinha, desde quando eu era apenas uma criança curiosa, ensinando-me que o tempero é, antes de tudo, respeito e paciência. Suas lições continuam vibrando em cada linha deste livro.
 
À minha família carnal e aos meus amigos, pelo apoio constante. Um agradecimento especial à minha família de terreiro, o Manzo Jimona Jimbele, lugar onde nasci e renasci, e onde minha identidade se fortalece a cada toque de tambor. 

Minha profunda reverência aos meus Nkinses NZAZE, pela força, pela justiça e pelo fogo que impulsiona minha busca. Ao meu Erê Faísca, agradeço por sempre me “assoprar as realidades”, mantendo meu olhar atento ao que é essencial. Por fim, agradeço ao meu Exu Caveira e à minha Pombagira Dona 7 punhais, que guardam minha direita e minha esquerda, protegendo meus caminhos e garantindo que o equilíbrio nunca falte nesta caminhada.

A todos vocês, que transformaram o saber em sabor e a pesquisa em propósito. 

Adupé. Mukuiu. Axé!

Cozinha, o coração do terreiro

Um dos pilares dos terreiros de Candomblé são as oferendas rituais de alimentos, popularmente conhecidas como “comidas de santo”,
cujo significado ritual e modo de preparo foram mantidos vivos ao longo de quase 500 anos, de geração em geração, pela oralidade.

Não existe candomblé sem comida de santo. As oferendas produzidas nas cozinhas são tão centrais para essa religião como a hóstia é para o catolicismo.”

Preservação das tradições

Fabiana Mavanju e Bárbara Kilambô criaram o projeto para compartilhar com o público seus conhecimentos, contribuir para a preservação das tradições de matriz africana, com que convivem desde a infância, e promover o respeito às religiões afro-brasileiras.

No processo de desenvolvimento do livro, realizaram uma pesquisa de campo em dez terreiros no DF e Entorno, para entrevistar especialistas em cozinha de terreiro.